segunda-feira, 28 de julho de 2008

Inaugurando a série "Saudades do Meu Avô"

Interior do Estado do Amazonas. Mil novecentos e bunda. Havia dois corcundas. O Notre e o Dame. Cansados de passar os dias a fitar o chão diuturnamente, resolveram ir atrás de uma solução para os seus problemas. Aconselharam-se com o velho ancião, Erasmo de Jauató, e este lhes disse que poderiam encontrar, no interior da terra firme, três ogros (a figura do ogro só entra nessa história por estar na moda) capazes de torná-los efetivamente homos erectus. Mas tinham que ter cuidado para não contrariá-los, senão... Rfum!


A advertência foi recebida com atenção pelo Notre, cuja humildade lhe parecia pesar sobre as costas, se é que metaforizar sua condição física não é uma grande sacanagem. De qualquer forma não seria ele quem pudesse contrariar quem quer que seja. Já o Dame, apesar de sua, digamos, limitação estética, só queria saber de se livrar o mais rapidamente possível daquela corcunda, o que decerto aumentaria sua já inflacionada soberba. Mal deu atenção pras palavras finais do velho sábio e saiu correndo pro interior da mata virgem arrastando seu irmão (se é que eram irmãos, ouvi essa história há muito tempo) consigo.


Embrenharam-se na mata. Depois de um dia sem êxito em localizar os ogros, resolveram separar-se. Assim a possibilidade de encontrá-los seria bem maior. Decidiram que depois de dois dias se reencontrariam naquele local. Como fariam aquilo sem GPS não sei. Ah! É claro que levaram mantimentos e instrumentos para a temporada na terra firme, mas fica combinado que a partir de agora não vou entrar em maiores detalhes pra não tornar a história ainda mais longa.


Enfim, na noite do segundo dia a humildade do nosso amigo Notre foi contemplada com a visão dos três ogros, que em volta de uma fogueira, estavam a cantar:


"Domingo, segunda e teeeerça!


Domingo, segunda e teeeerça!


Domingo, segunda e teeeerça!


Domingo, segunda e teeeerça!"


Talvez tenha sido a primeira experiência de Notre com a música minimalista. De qualquer forma o corcunda não se fez de rogado, e sem julgar a qualidade melódica da música pôs-se a auxiliar os ogros na cantoria.


"Domingo, segunda e teeeerça!


Domingo, segunda e teeeerça!


Domingo, segunda e teeeerça!


Domingo, segunda e teeeerça!"


E assim cantaram, alegremente, até o raiar do sol. Foi quando os ogros, muito satisfeitos com a companhia daquele corcunda que os ajudou na cantoria, ofereceram seus préstimos ao nosso amigo Notre, tirando-lhe aquela corcunda, dando-lhe uma postura invejável...


Transbordando de contentamento, Notre saiu correndo ao encontro de seu (vá lá) irmão, conforme o combinado, para contar-lhe a boa nova. Os olhos de Dame brilharam assim que viram seu irmão na forma ereta. Notre lhe deu a localização exata de onde os ogros se reuniam, certamente na base do beicinho, e recomendou-lhe que não era necessário nada além de juntar-se aos ogros numa cantoria.


Pois bem. Na noite do terceiro dia o Dame encontrou os ogros, que já estavam em volta da fogueira a cantar:


"Domingo, segunda e teeeerça!


Domingo, segunda e teeeerça!


Domingo, segunda e teeeerça!


Domingo, segunda e teeeerça!"


Soberbo que só o Rei da Espanha, o Dame não conteve o riso diante daquela melodia que considerava fraquinha como "caldo de piaba coado no algodão", como costumava falar. Só não mandou um "por que non se calas" por falta de castelhano.


Mas, enfim, juntou-se aos três ogros na cantoria, sendo que ao final de cada:


"Domingo, segunda e teeeerça!


Domingo, segunda e teeeerça!


Domingo, segunda e teeeerça!


Domingo, segunda e teeeerça!"


Dame incrementava, entrosado que era:


"Quarta, quinta, seeeeeexta e sa-ba-dó também!


"Quarta, quinta, seeeeeexta e sa-ba-dó também!


Os ogros apenas se entreolharam. Contrariados, claro. O Dame em todo o seu pernosticismo continuava com aquele adendo à música, crente que estava abafando, como diz o caboco.


OGROS


"Domingo, segunda e teeeerça!


Domingo, segunda e teeeerça!


Domingo, segunda e teeeerça!


Domingo, segunda e teeeerça!"


DAME


"Quarta, quinta, seeeeeexta e sa-ba-dó também!


Quarta, quinta, seeeeeexta e sa-ba-dó também!"


O dia raiou e lá estava o Dame sorridente depois de uma noite de cantoria, iludido de que estava por vir a solução do seu problema, quando um dos ogros lhe dirigiu a palavra:


-- Mas você é um caboco muito pávulo, hein, Tiago de M..., quer dizer, Dame! Chega aqui pra resolver um problema sério, e ao invés da humildade exemplar do seu irmão (definitivamente agora são irmãos!) você veio logo mudando nossa música... Má rapá, com que direito? Agora você vai ver!!!


Os ogros o agarraram a força e deram um jeito de torná-lo ainda mais corcunda. 180 graus, maninho! E ainda cortaram-lhe o pinto para que não restasse a ele sequer o prazer da auto felação.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Meu primeiro ctrl c - cltr v

O Drummond é assim, se permite amar sem fanatismos. Nos prega peças e vai nos conquistando aos poucos. Quando nos demos conta suas palavras ecoam involuntariamente, como pedras que adornam e enriquecem nossos caminhos.

As cidades podem vencer, Stalingrado!
Penso na vitória das cidades, que por enquanto é apenas uma
fumaça subindo do Volga.
Penso no colar de cidades, que se amarão e se defenderão
contra tudo.
Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres,
a grande Cidade de amanhã erguerá a sua Ordem.

sábado, 12 de julho de 2008

Notas do bloco de notas, ou enquanto o desbloqueio não vem

1 - O Vitor Knijnik assina na revista Carta Capital a seção "Blogs do Alem". Não sei se a idéia é original, mas vale a pena dar uma conferida. Adorei o Blog do Rosa (Noel Rosa). Fico imaginando o blog multifacetado do Fernando Pessoa...

2 - Infelizmente o Georges Bourdoukan cometeu blogcídio. Leitura obrigatória pra quem queria saber sobre a questão palestina sem o filtro da grande mídia que transforma algozes em vítimas e vítimas em terroristas, o blog do bourdougan chegou ao fim. Alega o autor de "A Incrível e Fascinante História do Capitão Mouro", "O Peregrino" e "Vozes do Deserto" falta de tempo, em função principalmente de inúmeras palestras Brasil afora. Ele bem que podia dar um jeito. O alcance do blog é infinitamente maior, e quem quer que queira comunicar não pode abrir mão desse mundinho virtual que já deixou de ser tendência pra ser necessidade.

3 - A propósito do "Capitão Mouro", já faz um bom tempo que Bourdoukan assinou contrato com a Globo para a história se tornar uma minisérie. Isso foi em 2002, salvo engano. Deve ir ao ar em 2032...

4 - Não esqueci de ti, Thiago de Melo!!!

5 - Finalmente me convenci de que o humorista Espanta morreu.

6 - Macaco alucinado come banana de dinamites.

terça-feira, 1 de julho de 2008

De volta pro meu aperreio

Assim que cheguei em casa fui recebido pelo meu pai. Disse a ele que eu não dei sorte pro Garantido, ao que ele me respondeu, (adoro essa frase): -- quem não deu sorte foi o Tiago de Melo!!!




Foi quando soube que o Garantido perdeu por uma diferença que corresponde à metade dos pontos que perdeu em função do atraso causado pelo poeta, que ainda não entendi bem como se deu.




Depois, quem sabe, deixo minhas impressões sobre o festival. De antemão apenas minha revolta com o Poeta de Barreirinha.




Porra! Primeiro ele apóia abertamente o Negão pra prefeitura de Manaus, agora tira a vitória do Garantido. Conquistada na arena, diga-se de passagem. Que coisa, hein "contrário"? Ano passado foi a chuva, esse ano os devaneios de um velho senil (ainda bem que o blog tem poucos leitores).




É o caso de incluir um artigo nos "Estatutos do Homem":




"Fica garantido que a vaidade de um poeta não pode prejudicar qualquer manifestação tupinambarama-bovina-vermelha-e-branca na arena em disputa com outra manifestação do tipo (embora de menor intensidade), contrária azul e branca."




A firula toda foi pra afastar a acusação de casuísmo.




PS: revogam-se todas as disposições em "contrário".