Na minha infância, eu e meu irmão nos odiávamos. Na verdade, nos amávamos nos odiando. Não sei como, numa das vezes em que me revoltei com ele, criei-lhe um apelido: "paula rôta".
Até hoje não sei o que é "rôta", mas boa coisa não poderia ser. Sei o que é "roto", mas salvo melhor juízo é substantivo masculino que não flexiona no gênero (se é que meus conhecimentos da língua portuguesa me permite discorrer com alguma propriedade). De qualquer forma, o uso do termo mais valeu por sua carga fonética negativa do que pelo significado aproximado em si - que também é negativo, diga-se.
Pior foi o adendo. Não satisfeito, ainda dei ao apelido um complemento: "cara de xiri". De forma que o apelido completo ficou "paula rôta cara de xiri".
Foi uma forma, creio eu, de dar um certo sentido ao apelido. Xiri eu tinha idéia do que era. Naquela época minha única experiência com xiri remontava do nascimento, e pelo menos antes da puberdade a carga simbólica do termo é negativista, motivo pelo qual não sei porque um adulto pode referir-se pejorativamente a alguem como "zé-buceta". Como diria meu amigo Herivelto: "se você acha que buceta é bom isso é um elogio!"
Meu avô, numa das últimas visitas que lhe fiz, perguntou pelo meu irmão referindo-se a ele como "paula rôta cara de xiri", rindo como a criança que eu fora...
A NECESSIDADE ESTÁ MATANDO A ESPERANÇA
Há 9 anos
3 comentários:
Até hoje tu crias uns apelidos e palavras bem inusitados... Será um dom pra isso? Vide fotofofifó e boquirroto (é esse mesmo?)...
Tem outros, mas deixo pras partes seguintes dos teus posts... bjos
Esse "boquirroto" não lembro. Sobre os neologismos não quero falar, é íntimo demais... rs. A não ser que esteja associado a um apelido, como o "rôta".
Mas na próxima parte faço questão de corrigir uma injustiça histórica quanto à autoria de um apelido de uma certa professora da faculdade de direito.
Bjosss
ainda bem q pra mim ficou só o vevé. ufa!
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