sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Raposa - Serra do Sol (parcial)

Eu esperava pelo voto favorável (pela demarcação contínua) do Ministro Carlos Ayres, nordestino e discretíssimo. Na composição do STF, de lembrança rendo minha confiança a este ministro mais o Eros Grau e Joaquim Barbosa, estes nomeados por Lula. Confesso que não sei quem foi o presidente que nomeou Carlos Ayres.

Um voto acima de tudo técnico.

O diabo são os palacianos que lá estão, um deles nomeado pelo mesmo presidente Lula - que dessa se borrou de medo (como lhe é usual) e cedeu às pressões do que há de pior no PMDB -, o de sobrenome Direito, que pediu vistas pra ter tempo suficiente pra assassinar a lógica e a Constituição.

Se ao menos se chamasse Justiça...

Aspas para Paulo Henrique Amorim:

". Nelson Jobim escolheu Carlos Alberto Direito para o Supremo.

. Direito é aquele que vota sempre do lado dos brancos ricos.

. Mas, demora para votar.

. No caso das células tronco embrionárias, não quis votar logo depois do relator, para ocultar sua posição retrógrada.

. Pediu vistas e depois votou contra.

. Agora, depois de o voto do relator defender a integridade da reserva dos índios na Raposa Serra do Sol – contra os invasores brancos, portanto –, Direito pediu vistas.

. E já soltou na imprensa que vai votar contra, porque acha que os índios vão declarar a independência de Roraima, e entregar à ONU.

. Direito vota sempre do lado dos brancos contra os índios, na Serra do Sol e na vida, em geral.

. Dantas pode contar com Direito no Supremo.

. Além de Gilmar Mendes, Direito é voto garantido."

Nota: Gilmar Mendes como Advogado Geral da União por decreto quis impedir a demarcação da reserva, ou seja, JÁ votou contra. O espalhafatoso Marco Aurelio de Mellllllllllllo já comentou que se prevalecer a lógida da demarcação contínua, o seu "querido" Rio de Janeiro tem que ser devolvido aos índios que lá habitavam.

Aguardemos o desenrolar do julgamento.



quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Ainda os apelidos

Acabei não seqüenciando direito, mas... vamulá. Creio que concluirei agora.

No final do ano letivo, quando eu me despedia dos meus colegas de classe, pois a partir de então eu só faria Direito na UFAM, o Marcelo se dizia orgulhoso por ter dado o apelido de "cuca" à... Cuca (esqueci o nome dela).

Confesso que me surpreendi com tamanha desfaçatez. Quem deu o apelido foi esse caboquinho que vos escreve!!! Não vou continuar essa história (relativo às facu objetivo) pois posso mentir dizendo que lhe desferi um soco ou algo não tão grave mas nem por isso verdadeiro. Não quero aqui abrir a série "mentiras que contei no blog". Então, corte na minha reivindicação da autoria.

Algum tempo depois essa história só se repetiu como farsa por que na faculdade de direito resolvemos apelidar em série - eu e mais dois Leonardos - não os colegas, mas os professores.

Daí surgiu, por minha autoria e com o devido lastro obtido na turma de administração, o mesmo apelido, "cuca", dessa vez desferido contra uma certa professora que não ouso mencionar o nome.

Antes tivesse registrado em cartório! Não só roubaram minha autoria, como alguns afirmavam na maior cara dura que ela fora dada à professora pelo eterno diretor da faculdade; ou que o apelido era histórico (sempre foi "cuca") e blá blá blá...

Da última vez, um dos Leonardos, numa festa do rubi, sentado em uma mesa cheia de advogados (formação de quadrilha) e um paraense (formação de quadrilha qualificada), regozijava-se por ter dado a ela esse apelido. Gargalhando, batendo no peito e dizendo "eu sou foda!".

Cansado e desiludido, só me restou negociar uma co-autoria.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Apelidos que criamos

Minha primeira experiência com apelidos em série se deu quando cursei, de forma incompleta, o curso de administração com ênfase em análise de sistemas (logo eu, egresso do papel almaço, mas isso é outra história) das faculdades objetivo, atual uninorte. Não estava seguro de que passaria pra Direito-UFAM e me matriculei em tal curso (mas isso também é outra história).

Eu e meu amigo Marcelo, com a eventual ajuda de algum outro da nossa turma, pegamos a lista de alunos e fomos apelidando um a um. Tivemos dificuldades pra nos apelidarmos, mas acabou que o Marcelo se tornou "corujito" e eu, "dino boy" (confesso que nunca vi esse personagem de desenho animado)

Pois bem, passamos a lista alternativa para a lousa. Uma amiga nossa empolgadíssima com aquilo começou a perguntar quem era quem:
-- Quem é "faísca"? Respondemos: -- fulana
-- "fumaça"? Respondemos: -- cicrana (eram duas morenas magras parecidas com os corvos do desenho animado)
-- "tartaruga ninja"? Respondemos: -- fulano
Até que...
-- E quem é "cuca"?
Não respondemos
-- Gente, quem é "cuca"??!!
Não respondemos
-- QUEM É CUCAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!?

(continua)

sábado, 23 de agosto de 2008

Apelidos que criei, parte I

Na minha infância, eu e meu irmão nos odiávamos. Na verdade, nos amávamos nos odiando. Não sei como, numa das vezes em que me revoltei com ele, criei-lhe um apelido: "paula rôta".
Até hoje não sei o que é "rôta", mas boa coisa não poderia ser. Sei o que é "roto", mas salvo melhor juízo é substantivo masculino que não flexiona no gênero (se é que meus conhecimentos da língua portuguesa me permite discorrer com alguma propriedade). De qualquer forma, o uso do termo mais valeu por sua carga fonética negativa do que pelo significado aproximado em si - que também é negativo, diga-se.
Pior foi o adendo. Não satisfeito, ainda dei ao apelido um complemento: "cara de xiri". De forma que o apelido completo ficou "paula rôta cara de xiri".
Foi uma forma, creio eu, de dar um certo sentido ao apelido. Xiri eu tinha idéia do que era. Naquela época minha única experiência com xiri remontava do nascimento, e pelo menos antes da puberdade a carga simbólica do termo é negativista, motivo pelo qual não sei porque um adulto pode referir-se pejorativamente a alguem como "zé-buceta". Como diria meu amigo Herivelto: "se você acha que buceta é bom isso é um elogio!"

Meu avô, numa das últimas visitas que lhe fiz, perguntou pelo meu irmão referindo-se a ele como "paula rôta cara de xiri", rindo como a criança que eu fora...

Mentiras que contei, parte II

Pois não é que isso está dando uma seqüência? Heheheh.

Mil, novecentos e oitenta e pouco. Colégio Palas Atena. Voltando da aula, atravessávamos o igarapé - um afluente do Mindú - que ligava o terreno do colégio ao Conjunto Vila Municipal e este à Ica Paraíba.

Pois bem, em cima da ponte, empurrei um amigo-rival, que se esborrachou na lama. Pura maldade. A saudosa mãe de outro colega e vizinho meu que nos esperava na rua mais próxima pra nos levar pra casa perguntou o que tinha acontecido com aquele menino.

Respondi que estiquei os braços ao me espriguiçar, sem notar que ele estava ao meu lado...

Ela só não sorriu indiferente por pena do moleque.

O que não é mentira: o colégio mudou de nome, agora é Lato Sensu; a ponte não existe mais, um muro foi construído e a partir de então o acesso ao colégio só se dá pelo Conjunto Adrianópolis; mas o igarapé continua a mesma merda!

PS: caro amigo, se por um milagre estejas lendo essa confissão, saiba que é normal às crianças esse tipo de catarse, embora tenha o potencial de afetar a integridade física dos amiguinhos. Não me leve à mal, pelo bem da psicanálise!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Mentiras que contei

Não ouso mais inserir no título "abrindo a série" pois nunca dou seqüência a elas. O que não quer dizer que não haverá, mas... enfim...

Eu era criança e tomava banho. A água estava demasiadamente fria. Gelada. Saí do banho. Me enxuguei. Me vesti. Fui à sala e lá estava a minha irmã. Queria contar-lhe da experiência, com uma pitada de exagero pra reforçar a realidade.

Disse à ela que a água estava tão fria, mas tão fria, que formou um gelo na ponta do meu dedo.

Ela sorriu indiferente.

sábado, 16 de agosto de 2008

Ele voltou!

Georges Bourdoukan reiniciou quietinho suas atividades de blogueiro. O blog não chegou a ficar um mês inteiro parado, mas quando encerrou eu deixei de acessar o "google reader". Fui dar uma olhada desinteressada no leitor de rss agora, quando verifiquei umas 32 atualizações do blog desse libanês pai d'égua!

Vale um CtrlC+CtrlV:

Isto a mídia não informa

A Associação de Imprensa Estrangeira em Israel e na Palestina condenou com veemência a decisão do Exército israelense de não processar os soldados que assassinaram o jornalista Fadel Shana, da Reuter.

Fadel foi assassinado no dia 16 de abril, com um tiro de canhão disparado por um tanque israelense quando filmava a repressão contra adolescentes palestinos.

Na ocasião, a repressão israelense assassinou oito adolescentes e Fadel acabou pagando com a vida porque estava gravando a brutalidade.

Esse tipo de informação, naturalmente você não vai ler na mídia.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Falando em jamegar...

Ouvi esse diálogo nas Faculdades Nilton Lins:

Funcionário: -- qual é o certo: rúbrica ou rubrica?
Aluno: -- não sei!
Funcionário: -- então assina essa porra!

Quebrando paradigmas

Encontrei uma caneta no meu escritório, do tipo "gel-roller". Gostei do traço. Por empolgação ou daltonismo, ou a combinação de ambos, passei a assinar minhas petições com ela. Mas qual era o problema?

Quando mostrei a nova caneta à simpática funcionária da sala da OAB-AM na Justiça Federal, num primeiro momento ela também se mostrou impressionada com o traço mas logo sua expressão facial mudou para uma feição horrorizada, e como se regorgitasse exclamou:

-- É vermelha!!!

(PAUSA)

Desde a aurora da minha vida me incomoda essa implicância com as canetas vermelhas. Será que um produto existe no mercado somente para marcar as respostas erradas de um teste? Nem digo da dicotomia forma - conteúdo, conquanto a cor vermelha não apresenta em si qualquer tipo de aberração.

(RETOMADA)

Ao que respondi:

-- Renegas o teu sangue por ser rubro?

A história aqui se encerra. Tenho tido dificuldades pra concluí-las. A idéia está posta. Aliás, nem sei pra quê tanto rodeio...

-- É SÓ UMA ASSINATURA, PORRA!!!

domingo, 10 de agosto de 2008

Dia do pais

O meu foi antecipado pra sexta. A mãe da minha afilhada já tinha me dito que, na condição de padrinho (ausente, confesso) eu iria representar o pai de sua filha, meu amigo João, que se encontra em Belém fazendo um curso de aperfeiçoamento.

E lá me dirigi ao La Sallinho, em plena 13h30, empolgadíssimo apesar do calor agravado por um carro sem ar condicionado.

Ela cantou e dançou pra mim. Ela torceu pra mim no cabo de guerra. Ela me chamou de papai, apesar da vigilância da sua mãe que insistia que eu era pra ela um titio. Ela me abraçou, me beijou, e me deu tchau na hora em que nos despedimos.

Definitivamente acho que ganhei uma filha.

Ao mesmo tempo, lembrei de minha relação com o meu pai e o que poderia ter sido se... Ah, a condicional... Somos mesmo uma família de índios, marcados pelo matriarcado. A idade avançada me faz agora vê-lo como um avô, ou verdadeiramente como um pai e não como autoridade e o que poderia ter sido se...

Bom, talvez eu vacile agora como sempre vacilei quando queria contar-lhe e tive medo. Mas as coisas estão muito bem, ainda que subjacentes. Deixemos as reminiscências...

Foda-se o dia dos pais! Viva a paternidade!!!

sábado, 9 de agosto de 2008

"Bost"

Estou bêbado e sonolento. Não sei se isto em decorrência daquilo. Estava respondento uns e-mais para meu sócio de Porto Velho quando notei que nas duas primeiras respostas cometi erros primários de gramática. E de lógica. O terceiro e-mail foi um pedido desculpas, mas menti ao dizer que foram por decorrência do sono. Na verdade uma meia mentira, pois estou realmente com sono. Mas o sono em decorrência do álcool? Não sei. Só sei que bebi, e estou com sono. E estou a 35 metros do chão. Ao longe, a presença sonora de uma festa. Quem estão lá? Quem são? São felizes, apesar da festa? Estão alegres ou simplesmente reproduzem aquele sorriso besta de quem não vive para si?




Eu, por mim, sigo na irremediável marcha da condição humana. Com um pingo de discernimento que não se esvaiu com o álcool. Com um pingo de lucidez que não desapareceu com o sono. Mas cheio de humanidade apesar desse mundo cruel e filho da puta!




E a festa continua...

sábado, 2 de agosto de 2008

Música & Poesia

Sim, há poesia na música. Mesmo que tenha uns filhos da puta a rimar miseravelmente (tenho respeito pelas rimas pobres) amor com dor e tesão com paixão, ou aqueles que não rimam mas imputam a Deus o mister de desenhar sua musa namorando na beira do mar, taí o Alceu Valença em Sete Desejos, que bem poderia figurar numa antologia poética da MPB, entre tantos outros, felizmente. No caso, uma poesia na sua feição mais ordinária. Não na análise eotchaniano, claro, mas por se tratarem de heptassílabos, devidamente rimados e metrificados.

Sete desejos, sete sílabas poéticas, sete quadras.
Recomeçando das cinzas
Eu faço versos tão claros
Projeto sete desejos
Na fumaça do cigarro

Eu penso na blusa branca
De renda, que dei pra ela
Na curva de suas ancas
Quando escanchada na sela

Lembro um flamboyant vermelho
No desmantelo da tarde
A mala azul, arrumada
Que projetava a viagem

Recomeçando das cinzas
Vou recompondo a paisagem
Lembro um flamboyant vermelho
No desmantelo da tarde

E agora penso na réstia
Daquela luz amarela
Que escorria do telhado
Para dourar os olhos dela

Recomeçando das cinzas
Vou renascendo pra ela
E agora penso na réstia
Daquela luz amarela

E agora penso que a estrada
Da vida, tem ida e volta
Ninguém foge ao destino
Esse trem que nos transporta