Baixei e vi há pouco o documentário "Botinada, a história do punk no brasil", de autoria do ex-VJ da MTV Gastão Moreira.
O Gastão faz falta na emissora. Apesar de ter apresentado programação um pouco diverso do meu gosto musical, ele sem dúvida foi o melhor apresentador que passou pela MTV. Bom "revê-lo", ainda que em sua obra.
O momento mais comovente do documentário (sou eu um punk sensível?) trata do "fim" do movimento no Brasil, deflagrado por uma reportagem do programa Fantástico que vomitou todos os estereótipos negativistas que imputavam aos punks, elevando-as à categoria de verdade absoluta.
Incrível, mas aqueles que se vestiam de preto, usavam cabelo moicano e curtiam sex pistols e ramones mas que "apesar" disso eram... humanos, passaram a ser alijados do convívio social e dos ambientes de trabalho. Os que trabalhavam formalmente perderam o emprego.
Involuntariamente vi o Fantástico ontem (estava em um restarante) e vi uma reportagem sobre trabalho escravo. Os denunciados são os mesmos em favor dos quais a emissora (não sozinha, claro) cria um estado de coisas que torna possível o crime denunciado. São os mesmos latifundiários que fazem a sociedade odiar os sem terra e os índios.
“Se o punk é o lixo, a miséria e a violêcia, então não precisamos importá-lo da Europa, pois já somos a vanguarda do punk em todo mundo” (Chico Buarque)