sábado, 28 de fevereiro de 2009

Ser precoce é sofrer por antecipação

Não tão criança eu acreditava que as marcas de óleo de carro, recorrente nas ruas em dias de chuva, eram espectros de meteoritos recem caídos. E que o chirriar dos grilos era o som das estrelas quando estas resolviam dar rasantes sobre terra.

Não me custava investigar e acreditar na verdade. Me custava constatar que eu estava crescendo e me desenvolvendo. Para quê, meu Deus?

A verdade não tem a menor graça...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Der Bergmann (O Mineiro)

Mineiro sou no poço da alma. Silencioso, intrépido, desço rumo às trevas e vejo o precioso minério do sofrimento, a lançar através da noite um tímido clarão.

Belíssimo poema, extraído do livro Doutor Fausto, de Thomas Mann.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Bloco das Piranhas Intimistas

Só pensei no título e não no texto. Estou sem qualquer inspiração para escrever. Fastio de fim de enfermidade. Carnaval não desejado. Se ainda estivéssemos nos tempos das marchinhas...

Ah! E Salvador é o caralho!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

A Foto




Percorreu o mundo. Da sequencia (sem trema, SEKÊNCIA) eu ainda preferia uma em que o rosto do policial que segura o cacetete aparecia. O responsável!!!

Mas essa foto - reconheço - carrega uma força simbólica maior. Não há UM responsável. Não é só O policial que segura o cacetete que lhe desfere o golpe.

Você, caro leitor, de que lado está?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Resposta

Antecipo a resposta. Não gosto de ver ninguem sofrer. Vi no rosto da Lalá a frustração por não se ver capaz de responder a charada, com "ch". A "eu" viajou na batatosa, mas não chegou perto da solução do mistério, decerto induzida pelo meu erro de grafia. Rs.

Bom... eu estava me referindo à essas raquetes de matar carapanã.

As veias entralaçadas são os arames que causam choque. As veias que não alimentam, mas mortificam. A figura do Gregor Samsa remete ao inseto. Baratas e carapanãs, embora animais distintos, figuram no reino dos insetíveros, e o lamento se daria por essa afinidade.

Espero que a experiência não aborte a idéia!

E pra finalizar, uma espécia de virundum canônico.

Numa humilde escola em Jauató, médio Solimões, a professorinha perguntou aos seus alunos sobre o que eles mais temiam.
PROFESSORA: -- Mundica, do que vc tem medo?
MUNDICA: -- do Boi Tatá, fessora!
P: -- mas Mundica, Boi Tatá não existe, é só uma lenda!
P: -- e você, Tonico? Do que mais tem medo?
TONICO: -- do Mapinguari, fessorinha!
P: -- mas Tonico, Mapinguari não existe, é só uma lenda!
P: -- e você, Erasmo de Jauató? Do que mais tem medo?
ERASMO: do Malamém, professora!
P: -- Malamém? Nunca vi isso na minha vida, Erasminho!
E: -- Nem eu, professora, mas toda vez que a minha mãe vai se deitar, antes de dormir ela sempre repete: "e não nos deixei cair em tentação, mas livrai-nos do Malamém!!!"

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Xarada intimista

A brincadeira consiste em tentar responder sobre o que estou escrevendo.

Se alguem acertar eu digo logo que acertou. Se ninguem acertar eu posto a resposta na próxima quinta à noite.

Se ninguém entrar na brincadeira eu desisto do blog!

ENIGMA:
As veias entrelaçadas mortificam
e neste momento
somente o anti-herói kafkiano lamentará
teu passamento


Vamos lá, galera! Interatividade!!!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Um Dia de Bode




Atendi ao apelo intestinal e me dirigi ao banheiro.

Era uma tarde de um sábado qualquer. Primeira metade dos anos 90.

Não tinha pressa. Tudo transcorria naturalmente. Acomodei-me solene no vaso, tal qual o Pensador de Rodin. Certo da regularidade do processo e consistência da obra.

Ilusão!

Após um esforço fora do habitual, um leve estampido irrompe meus ouvidos. De que me valera aquele empenho? Olho para baixo e fito o imprevisível: uma matéria esferóide flutuando insolente sobre a água!

Surpreendi-me! Lembrei do conto Metamorfose que, por coincidência, acabara de ler. Seria eu um personagem real kafkiano, a me transformar num bode? Já encontrara certa resignação por não estar me transformando num monstruoso e repugnante inseto. Mas não capitulara ao todo, tinha que provar a mim mesmo que metamorfoses do tipo só são admissíveis em ficção. Pronunciei uma frase qualquer. "— Gregor Samsa é o caralho!” e confortei-me ao ouvir de mim mesmo a assertiva em toda a sua substância fonética. Temi pronunciar apenas um monossilábico “mééééé”.

Então... poderia ser apenas e tão somente um fragmento a prenunciar o desenvolvimento normal do... processo (ainda em alusão ao Kafka, caros leitores).

Que nada! Aquele enredo de filme de horror se transformou numa série! Imergi nela como num pesadelo infame! Cada capítulo um desespero. Cada desespero uma lágrima. E a constatação de que, se a vida é uma merda, por vezes ela ainda se torna ridícula!

Eis que aquela linha de produção chega ao fim. Levantei-me. Aproveitei e dirigi-me ao chuveiro para tomar banho e esfriar a mente que fervilhava. Antes de regressar ao cotidiano, encarei a obra serial a fim de me certificar que tudo aquilo que me acontecera era de fato real. E de fato o era.

Deixei-a ainda em exposição, movido, quem sabe, por autocomiseração. Minha irmã até (os) viu, mas pragmaticamente deu a descarga.

Coisa que eu já devia ter feito!

POEMA INCIDENTAL

Entre quatro paredes
Há uma sensação profunda
A merda bate na água
A merda bate na água
A merda bate na água
A merda bate na água...