
Minha primeira experiência com os Manic Street Preachers foi traumática.
Estava, como sempre que o programa Lado B da MTV era exibido, diante da TV anotando o nome das bandas cujos clipes mais me agradavam. Na manhã seguinte, seguindo o ritual, era dia de ir à
musical box do já amigo Márcio Ferreira pra saber o que ali se tinha dos selecionados.
Quando me deparei com os Manics, mais precisamente o clipe de
Scream to a Sigh (La tristessa Duerera) não vi nada demais. Não era shoegaze, nem dreampop, nem indie, nem etéreo... Me pareceu demasiado pop, na contramão das demais bandas que frequentavam o Lado B do Fábio Massari.
Ainda vi o CD da banda, sem perguntar por ela, na prateleira da musical box, mas só me interessei em tocar no assunto "essa banda..." pra dizer que não tinha gostado, juízo esse corroborado pelas palavras do Márcio, que me disse que "aquilo" tinha encalhado na loja. E se encalhou foi culpa do próprio lojista, pois as indicações dele eram vitais para as aquisições de seus incipientes consumidores.
O Album em questão era
Everything Must Go, o lendário trabalho da banda que representou uma espécie de guinada em sua carreira, se bem que o principal trunfo da banda, a combinação perfeita de beleza e força melódica sempre permeou seus feitos, vide
motorcycle emptness, presente no
debut "generation terrorists", apenas para citar um exemplo.
Ôpa, mas estas são as palavras de um fã?
Claro que sim! E foi justamente um outro clipe que redimiram os Manics diante da minha modesta condição de ser escutante.
Everything Must Go, do citado disco homônimo. Claro que, mal posicionado a respeito da banda, a música sofreria uma certa resistência preconceituosa, mas isso foi quase nada diante da paixão com que James Dean Bradfield executava aquela música (que hoje em dia nem figura entre as minha preferidas), em um clipe que mostrava a banda em uma apresentação ao vivo, em um estúdio, com a participação de músicos de uma orquestra sinfônica. Não lembro se tinha público...
Já arrependido por não ter comprado o disco, que anos depois vi na prateleira de Mário Freire (exatamente o disco que tinha "encalhado" na loja do Márcio), me restou a internet para tirar o atraso. Algo que faço ainda agora, baixando tudo o que ainda não tenho, e olha que já tenho muita coisa.
E se eu achava a banda "nada demais", hoje ela faz parte daquelas, graças a Deus em número considerável, em que posso dizer "nada mais além deste Olimpo".
Não é shoegaze, nem dreampop, nem indie, nem etéreo. São os Manic Street Preachers sem rótulo e sem frescura!