Minha mãe recordou, neste último domingo, que quando eu era criança e ela me dizia que algo aconteceria num dia vindouro qualquer (supomos que no domingo ela me disesse que quarta iríamos para o cinema), eu a interpelava: -- quando eu dormir e acordar, dormir e acordar, dormir e acordar? Nem sempre eu acertava; às vezes ela somava ou subtraía "dormir e acordar".
Hoje tenho insônia, minha mãe me acorda aos berros e pelo menos em uma hora durante o dia eu tiro um cochilo. Ou não.
Enfim, só me resta o calendário convencional e o saudosismo de uma época em que eu dormia cedo e acordava tarde, ia com minha mãe ao cinema e não dependia de alvará judicial pra ser feliz.
E a depender dos Juizados Especiais terei que dormir e acordar, dormir e acordar, dormir e acordar, dormir e acordar, dormir e acordar, dormir e acordar, dormir e acordar, dormir e acordar, dormir e acordar, dormir e acordar (...)
A NECESSIDADE ESTÁ MATANDO A ESPERANÇA
Há 9 anos