terça-feira, 30 de setembro de 2008

O corcunda da Luiz Antony

Meu amigo e vizinho Paolo, então aluno do Colégio Militar de Manaus, tinha amizade com alunos internos do colégio. Estes sempre eram convidados para participar de bailes de debutantes, trajados em seus uniformes de gala. O Paolo era um dos poucos alunos externos que pegavam carona nesses bailes, e eu, quando podia, ia a seu reboque.

Pois bem. Um dia eles iriam a um baile após a formatura em homenagem ao aniversário do colégio, que neste ano aconteceu numa sexta à noite. Cheguei atrasado para a formatura, motivo pelo qual fiquei esperando seu fim na esquina da Luiz Antony com a Dez de Julho. Deixei o cabide com a túnica (a parte de cima da farda de gala) na grade de uma janela baixa. Próximo do fim da formatura, vesti a túnica, e quando chegou o momento de me reunir com os demais, virei novamente em direçção àquela janela para pegar o cabide.

Mas a janela dessa vez estava aberta e do outro lado uma figura pitoresca, branca, muda, envergada, com um sorriso sinistro na face grotesca. Me surpreendi com a aparição daquele homem. Tive medo. Fiquei paralisado, enquanto ele ainda ostentava aquela feição macabra.

Mas enfim empreendi uma fuga, deixando para trás o cabide.

domingo, 28 de setembro de 2008

Parintins em Etérnia

Para que as toadas de Parintins conquistem definitivamente o Brasil é necessário diversificar suas letras, saindo um pouco das temáticas locais. Assim, certamente ganharia a simpatia de quem não faz idéia do que seja “cunhã poranga”, “moangá moangá angá açu” e “wapixanã caranauacê janauatê wassifudê porracarai”.

Vale um “PS" ainda que não “post scriptum”: na verdade não concordo com essa idéia, mas preciso justificar a existência do post.

Hum-hum... Por isso, caros leitores, antes que vocês imaginem que o que aqui se propõe é a banalização das toadas, imaginemos como seria o ritmo de Parintins embalando, por exemplo, a abertura de um singelo desenho animado. Nada demais!

Não se trata de paródia, a música também é original, mas como não posso postá-la, segue a letra:

Ritmo do ritual

“A história se passa em Etérnia

Planeta distante

De bravos heróis e reles mutantes

Que travam batalhas

Numa guerra secular

Lá mora um monstro maldito

Que é só pele e osso

De voz arranhada e jeito asqueroso

Que a todos de Etérnia

Sempre vive a ameaçar”

Virada pro ritmo normal

“Mas surge o príncipe Adams

E o gato guerreiro

E travam batalha contra o aventureiro

Mostrando que o bem

Sempre tem a ganhaaaar

Mas o esqueleto é valente

E apesar da derrota

Se mostra imponente

Se enche de glória

E a todos de Etérnia

Ele volta a ameaçaaaaar

Eu me vin-garei de você, He-man

Ainda vais se dar mal contra o império do maaaaaaal

Eu me vin-garei de você, He-man

Ainda vais se dar mal contra o império do mal”

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Comerciais que (não) gostaríamos de ver

Os comerciais de remédios para gripe, resfriado, tosse etc são sempre babacas. Não me suspreenderá se surgir um comercial assim:

ANUNCIANTE: Melkatosse
CENÁRIO: uma calçada
PERSONAGENS: dois transeuntes
FIGURAÇÃO: populares
AÇÃO: os dois transeuntes se cruzam, um deles começa a tossir, involuntariamente, claro, "em cima" de outro. Este incomodado, leva a mão pra cintura e diz:
-- você vai ver o que bom pra tosse!!!
O doente fica com medo, os populares se assustam, (ele está armado?), eis que finalmente o sujeito irritado mete a mão no bolso, tira um frasco, mostra-o para a câmera e exclama, sorridente:
-- Melkatoooooosse!

PS: se persistirem os sintomas não está mais aqui quem anunciou!

sábado, 20 de setembro de 2008

Um menino, a TV e os filmes

Posso dizer que meu purismo com relação aos filmes nada tem a ver com "tabu ideológico" (algumas expressões e palavras me perseguem).

Na minha infância e adolescência fui muito seletivo em relação aos filmes que passavam na telinha da TV. E se houve seleção de fato, isso se devia unicamente pelo ponto de vista da narrativa. Preconceito é coisa de adulto.

Claro que a lista abaixo só traz alguns exemplares que, por incrível que pareça, passaram nos canais abertos (numa época em que não existia TV a cabo, não que isso seja um grande avanço) e que me marcaram e nortearam as minhas preferências atuais:

- Depois de horas, de Martin Scorsese
- Ran, de Akira Kurosawa
- Sonhos, de Akira Kurosawa
- Amarcord, de Federico Fellini
- Ciúme - o inferno do amor possessivo, de Claude Chabrol
- Ata-me, do Pedro Almodóvar

Sim, dormia tarde desde aquela época, com a atenuante de que podia capotar depois do almoço. Bons tempos...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Laranja mecânica

Revi o filme faz poucos dias. Nestes dias em que a TV pauta as produções cinematográficas no mundo inteiro (daqui a pouco vamos ter "Domingão doFaustão - o Filme") nada melhor do que rever um bom e velho sucesso... de crítica.

O que mais me impressionou quando re-"videei" o filme, meus caros "drugis", é que eu tinha apagado da memória sua seqüência final, quando o protagonista sai do cárcere e sente na pele as sessões de ultraviolência que infligiu às suas vítimas, sendo que as vítimas passaram a ser seus algozes.

A seqüência é bem "horrorshow", é bem verdade, mas talvez eu tenha ficado com pena do personagem brilhantemente desempenhado por Malcolm McDowell.

Eu acreditava na "cura" de Alex, mas a sociedade sempre pune além dos critérios legais.

domingo, 14 de setembro de 2008

Ocaso de um post

Quem sabe estou abrindo aqui uma nova série.

É que, enquanto não tinha acesso à net pensei em fazer um post. A idéia era a seguinte: interpretar, com o máximo de boa vontade, uma letra de pagode.

Pensei numa letra bem furreca e me veio à memória a "dança da vassoura". Então, num tremendo esforço de exegese, o título seria "a dança da vassoura à luz do existencialismo", onde não importa a resposta ao "me diz aonde você vai", que "eu vou varrendo", ou seja, vivendo em liberdade, como único senhor do meu destino.

"Mas tome cuidado com o cabo da vassoura", ou seja, com os perigos das interpretações extremadas acerca dos preceitos existencialistas, que pode levar o ser à ações periféricas - representadas pelo cabo da vassoura -, como o auto desprezo e o suicídio. "Você pode se dar mal"

Era o que eu lembrava da letra.

Quando fui recorrer ao google veio a constatação de que não há esforço de exegese que dê jeito a uma letra de pagode. O resto da letra caiu em mim como um míssil anti-climáx, sem falar que à vassoura existencialista fizeram rimar a palavra... "cenoura".

Cansado e desiludido, só me restou imaginar um "molejão remix":

"a vassoura e a cenoura, põe na caçamba e vai pra puta kiu pariu!!!"

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Abrindo a série "pertinente bagaray"

Não sou muito adepto do "copiar e colar", mas acabo de ler essa confissão e não pude deixar de postá-la aqui, até por uma questão humanitária.

"Depoimento de uma ex-drogada

Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de 'experimenta, depois quando quiser é só parar'... e eu fui na dele.

Primeiro, ele ofereceu coisa leve, disse que era 'de raiz', da terra, que não fazia mal e me deu um inofensivo disco do Chitãozinho e Xororó, seguido de um DVD do Calcinha Preta.

Achei legal, uma coisa bem brasileira. Mas a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais freqüente, comecei a chamar todo mundo de truta e acabei comprando pela primeira vez.

Lembro que cheguei na loja e pedi:
- 'me dá um CD do Zezé de Camargo e Luciano'!
Era o princípio de tudo.

Logo depois resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um cd de Axé. Dizia que era para relaxar, sabe, coisa leve...Banda Eva, Cheiro de Amor, Netinho, Aviões do Forró, etc.

Com o tempo meu amigo foi me oferecendo coisas piores: O Tchan, Companhia do Pagode, Frank Aguiar e muito mais.

Após o uso contínuo eu já não queria saber de coisas leves, queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer os quadris como nunca havia feito antes.

Então meu amigo me deu o que eu precisava: um cd do Harmonia do Samba. Minha bunda passou a ser o centro de minha existência, razão da minha vida. Pensava só nessa parte do corpo, respirava por ela, vivia por ela! Mas depois de muito tempo de consumo a droga perde o efeito e você começa a querer cada vez mais, mais, mais...comecei a freqüentar o submundo e correr atrás das paradas.

Foi a partir daí que começou minha decadência. Fui ao show do Alexandre Pires, do Bello e do grupo Karametade. Até comprei a revista Caras que trazia o Rodriguinho na capa.

Quando dei por mim, já tinha feito chapinha e pintado o cabelo de louro.

Dois piercings adornavam meu nariz e meu corpo parecia uma parede pichada, de tanta tatuagem; Lembro-me de um dia que entrei nas lojas Americanas e pedi a coletânea "As melhores do Molejo". Foi terrível! Eu já não pensava mais, ia mal na escola e trabalhava só pensando na sexta-feira.

Meu senso crítico havia sido dissolvido pelas rimas miseráveis e letras pouco arrojadas. Meu cérebro estava travado, não pensava mais em nada!
Mas a fase negra ainda estava por vir. Cheguei ao fundo do poço, no limiar da condição humana quando comecei a gostar de melancias, bondes, tigres, MC Serginho, Lacraias, Motinhas e Tapinhas. Comecei a ter delírios e a dizer coisas sem sentido.

Quando saía à noite para as baladas pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercada por outros drogados usuários das drogas mais estranhas que queriam me mostrar o caminho das pedras...Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ser dominada pela droga mais poderosa do mercado: Ki-Kokolexo.

Hoje estou internada em uma clínica. Meus verdadeiros amigos fizeram a única coisa que poderiam ter feito por mim. Meu tratamento está sendo muito duro, com doses cavalares de MPB, Bossa-Nova, livros e blues. Mas o médico falou que talvez tenha que recorrer ao Jazz e até mesmo Mozart, Beethoven e Bach.

Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes só pensam em dinheiro, não estão nem aí para sua saúde e por isso tapam sua visão para as coisas boas e te oferecem drogas.

Se você não reagir, vai acabar drogado, alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável, distante e burro. Vai perder as referências e definhar mentalmente. Em vez de encher a cabeça com porcaria, pratique esportes e, na dúvida, se não puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte:
- não ligue a TV no domingo à tarde.
- não entre em carros com adesivos "Fui"...
- se te oferecerem um CD verifique se o 'artista' foi ao programa da Hebe ou ao Domingo Legal do Gugu. Mulheres gritando histericamente são outro indício.
- não compre CD que tenha mais de 6 pessoas na capa (essa é boa)- não vá a shows em que os suspeitos executem passos ensaiados.- não compre nenhum CD que tenha vendido mais de um milhão de cópias no Brasil, e
- não escute nada que o autor não seja capaz de fazer uma concordância verbal mínima.

Diga não às drogas! A vida é bela! Eu sei que você consegue!"

domingo, 7 de setembro de 2008

O Fausto que não vendeu sua alma

E lá se foi Fausto Wolff... Perde-se acima de tudo um corajoso humanista. Ficam-se os mainardis, os jabores e dissabores...

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Aniversário, ou hai-kai leminskiano aplicado

Se
"Amar é um elo,
entre o azul e amarelo"...
Feliz aniversário meu azul e amarelo
Feliz aniversário meu amar

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Nota triste :(

Waldick Soriano não conseguiu convencer o agente da carrocinha de que "não era cachorro não!".

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Stop o mundo que eu quero descer!

Juro que vi isso ontem, zapeando insone na frente da TV.

TV Cidade ou TV Ufam. O nome do programa: "stop a destruição do mundo" (!!!)

Creio eu tratar-se de uma associação católica para-oficial (como a TFP), naturalmente com o que há de pior no catolicismo: patrulhamento ideológico e extremismo de direita. Pensei que esse tipo de entulho só existia na Rede Vida.

Mais ou menos assim: um senhor já idoso, doravante denominado Torquemada, comentava os preceitos de um certo filósofo, lidos pela âncora do programa, que bem podia ser amarrada em uma e jogada ao mar. Não faria a menor falta.

O velho Torquemada pelo menos me fazia rir!

A vítima, ou melhor, réu (ou seria bruxo?)? Nada menos que Arthur Schopenhauer. O intimorato inquisidor desconstruia os pesamentos do filósofo alemão, reduzidos na tela de um computador, com uma dose de otimismo que em nada condizia com o seu semblante triste de velho punheteiro.

Algo do tipo "engana-se o filósofo! O homem é bom! Vejam os exemplos de Jesus Cristo e Nossa Senhora...".

É, Schop (permita-me a intimidade) "as religiões, assim como as luzes, necessitam de escuridão para brilhar".

E eu pensava que o conteúdo da programação era ecológico...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

MPB - Folia

Eis que Manaus-Folia se foi, deixando para trás uma multidão ansiosa pela próxima versão da festa regada a música baiana. É claro que não me refiro à tropicália.

Fica minha sujestão aos futuros foliões: alongamento para afastar a lesão por esforço repetitivo. Ah! E se tirarem os pés do chão, façam-no com moderação. De preferência, um pé de cada vez.

Ao mesmo tempo, estive pensando... porque não utilizarmos coreografias na MPB? Quem sabe assim o genial Milton Nascimento não lota o sambódromo. Se até o "tchan" é permitido diante do altar (!!!), vide renovação carismática, porque não nos permitimos essa pequena heresia?

Aqui vai minha sugestão:

MÚSICA: Nada Será Como Antes (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)

Nota: entre parêntesis, a coreografia, claro.

Eu já estou (apontando para si) com o pé (apontando para o pé) nessa estrada (palma da mão para baixo, paralela ao solo, movimentando-a da cintura para frente, dando indicação de caminho, estrada)
Qualquer dia (passinhos pra direita e esquerda, movimentando as mão com os indicadores em riste, idéia de rotação, "qualquer dia"...) a gente (apontando para si e em seguida para um ser imaginário à sua frente) se vê (apontando para os olhos)
Sei que nada (indicador direito, ou esquerdo, se você for canhoto, em riste, movimentando para os lados, sinal de "não") será como antes (circulando o dedo em riste para trás, idéia de passado), amanhã (a mão espalmada indicando o horizonte, o amanhã)
Que notícias me dão dos amigos? (antebraços colados ao corpo, braços paralelos ao chão, levemente inclinados para os lados, mãos espalmadas para cima, como quem quer uma resposta), Que notícias me dão de você? (a mesma posição anterior, só que no "você", aponta-se novamente para o ser imaginário que está na sua frente)
Alvoroço (mãos agitadas, caos) no meu coração (apontando para o próprio peito)
Amanhã (circulando o dedo em riste para cima, amanhã) ou depois de amanhã (o mesmo movimento anterior, só que duplicado)
Resistindo (braços cruzados sobre o peito, idéia de resistência) na boca (obviamente apontando para a boca) da noite (se for noite, mão espalmada indicando o horizonte, se for dia, aí fudeu) um gosto (aponta pra garganta, vai) de sol (aquele gesto de quem se defende, neste caso dos raios solares, mãos espalmadas, o braço direito totalmente estendido o esquerdo meio flexionado, ou vice versa, caso sejas canhoto. Se for ambidestro, ao seu critério tá? Testa frangida e olhos cerrados, caprichando na dramatização).

Bom entrenimento, galeraaaa! Uhuuuuu!